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#IncipitBrasil PORNOPOPÉIA de Reinaldo Moraes

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"Vai, senta o rabo sujo nessa porra de cadeira giratória emperrada e trabalha, trabalha, fiadaputa. Taí o computinha zumbindo na sua frente. Vai, mano, põe na tua cabeça ferrada duma vez por todas: roteiro de vídeo institucional . Não é cinema, não é epopeia, não é arte. É -- repita comigo -- vídeo institucional . Pra ganhar o pão, babaca. E o pó. E a breja. E a brenfa. É cine-sabujice empresarial mesmo, e tá acabado. Cê tá careca de fazer essas merdas. Então, faz, e não enche o saco. Porra, tu roda até pornô de quinta pro Silas, aquele escroto do caralho, vai ter agora 'bloqueio criativo' por causa dum institucionalzinho de merda? Faça-me o favor."  Objetiva, 2008, Rio de Janeiro, 475 páginas  Da orelha do livro: "Ex-cineasta marginal obrigado, pela necessidade, a filmar vídeos promocionais, Zeca tem um único longa-metragem em seu currículo." [...] "Na contramão dos (anti-)heróis tradicionais, o personagem não está atrás de redenção ou disposto ...

#IncipitBrasil A PÁTRIA EDUCADORA EM COLAPSO de Renato Janine Ribeiro

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Numa quarta-feira, 18 de março de 2015, eu estava na Casa  do Saber, em São Paulo, me preparando para começar um curso que duraria quatro semanas, quando encontrei o executivo Jorge Pinheiro Machado -- meu colega no Conselho Consultivo do Instituto Inhotim, o extraordinário museu ao ar livre a uma hora de Belo Horizonte. Ele me contou que o ministro da Educação, Cid Gomes, acabara de deixar o governo, depois de uma altercação com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O episódio tinha sido conturbado. Em fevereiro, com apenas um mês no cargo, o ministro visitara a Universidade Federal do Pará, onde ouviu impropérios de estudantes extremistas, gente sem ideias nem valores, que só sabe xingar. Cid perguntou aos jovens por que o atacavam, já que estavam do mesmo lado, e não dos "trezentos ou quatrocentos" achacadores que havia na Câmara. E também responsabilizou Eduardo Cunha pelos "achaques" ao governo. Ora, num desses atos que só podem ser atribuídos ...

#IncipitBrasil AS LOURAS DE MINHA VIDA de Fernando Neves

Maria Alice guarda, muito bem guardado, no fundo de uma gaveta fechada à chave, no armário art déco que ganhou de  sua tia Anália, um álbum de capa de veludo vermelho com bordas ornadas com fios de ouro. Nesse álbum, Maria Alice coleciona  todas as recordações amargas de sua vida. Não há uma única mágoa, pequena tristeza ou grande infortúnio que não esteja registrado,  de alguma forma, no álbum vermelho de Maria Alice, num imenso relicário de suas piores memórias. conto Álbum de Recordações Amargas Bandeirola, São Paulo, 2018, 164 páginas. Livro de estreia de Fernando Neves.  Os contos dessa coletânea tratam de perda, do medo e das diversas formas de fuga empregadas por aqueles que temem as incertezas dos relacionamentos.

#IncipitBrasil ANTONIO de Beatriz Bracher

Teo dizia "somos cinco, mas um morreu", quando perguntavam quantos irmãos eles eram. Se a pessoa estranhava, ele balançava a cabeça e dizia "eu não o conheci, era o mais velho e morreu nenê". Desde pequenos estudamos juntos, fiquei amigo da família, passava muito tempo na casa deles. Quando eles eram crianças e adolescentes, a casa era alegre, bem diferente da que você conheceu. Tua avó Bel, além de trabalhar e ganhar dinheiro com as aulas na faculdade e no colégio, cuidava de tudo e a bagunça não chegava a ameaçar. Xavier foi editor, escritor, jornalista e dramaturgo, imagino que o dinheiro do dia a dia vinha mais do trabalho da Bel e, até onde entendo, de uns restos de herança. Eles moravam no Butantã, em uma casa que tinha sido do pai de Xavier, do teu bisavô médico. Editora 34, São Paulo, 2010, 184 páginas. Da orelha do livro: [...] "Benjamin, o protagonista, ao descobrir por acaso um grave segredo familiar, decide saber dos envolvidos exatamente como t...

#IncipitBrasil VOCÊ VAI VOLTAR PRA MIM E OUTROS CONTOS B. Kucinski

Zuleika veio à praia a convite das amigas do prédio. Sábado é dia de folga, dia de voltar pra São Gonçalo, onde estão os filhos com a avó Fortunata, mas este sábado está demais de quente, o céu azul total. E a praia de Copacabana bem em frente. Quem resiste? Cosac Naif, São Paulo, 2014, 192 páginas. Da orelha do livro: Do autor deK., romance finalista dosprêmios Portugal Telecom e São Paulo de Literatura de 2012, estes contos retratam a atmosfera opressiva dos anos de chumbo da ditadura militar brasileira.

#IncipitBrasil NINGUÉM ABANDONA O PARAÍSO PELA PORTA DA FRENTE Helena Cerello

Ame o outro como ama a si mesmo um narrador pervertido em primeira pessoa. Mas antes abra a janela. Ouço por debaixo da barba, no quarto principal da fazenda centenária. Eis o milagre. Nós estamos juntos há vinte e um anos, a atriz com o focinho atrevido e seu marido bem mais velho, diretor de cinema-gênio-escamoteador. A escritora, que sou eu, nasce atrás da cortina, ostentando caprichos e a melhor champagne, sem tempo para lágrimas de quem sabe ter dedos ávidos por anéis e justiça. Quelônio, São Paulo, 2018, 168 páginas. Helena Cerello é escritora, atriz e dramaturga. Da orelha assinada por Lourenço Mutarelli: Neste romance, Helena Cerello nos apresenta uma história dentro de outras histórias. Uma Matrioska às avessas: cada pequena peça traz dentro de si uma figura maior. E o jogo segue quase sem fim, ou com o fim dado logo ao começo. 

# IncipitBrasil HANÓI Adriana Lisboa

"Alguém tinha contado a David a história do sujeito diagnosticado com uma doença grave a quem o médico só havia dado um ano de vida: o doente pediu demissão do emprego, vendeu tudo o que tinha e foi gastar numa farra de dimensões épicas. Pouco depois, descobriu-se que o diagnóstico estava errado. Parece que o médico teve que enfrentar um processo, mas daí em diante a história perdia o interesse para David." Hanói, de Adriana Lisboa, Alfaguara, 2013, Rio de Janeiro, 238 páginas. Em uma entrevista, Adriana Lisboa indicou a leitura de  O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde,  obviamente a edição sem adaptações. Até hoje agradeço o toque. É do seu sexto romance o incipit que escolhi.  Da quarta capa: Hanói é um romance sobre deslocamentos, sobre detalhes que mudam um destino, e sobre a transitoriedade da vida. A cidade, aqui, é mais do que localidade geográfica: é um futuro imaginado, onde David, doente e determinado a levar a cabo um projeto radical, deposita esp...