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Mostrando postagens com o rótulo Ficção Brasileira Romance século XX

#IncipitBrasil A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA Moacyr Scliar

"Muita gente pergunta por que me dedico à terapia de vidas passadas. Minha resposta varia conforme as circunstâncias. Quando sou entrevistado na tevê ou no rádio -- e sou muito entrevistado --, declaro, de forma propositadamente reticente, que cheguei a isso por artes do destino. O resultado é, em geral, muito bom, traduzindo-se em admiradas exclamações por parte de entrevistadores e do público eventualmente presente. Destino é uma palavra de que as pessoas gostam muito; associam-na com o sobrenatural, com astros, coisas que sempre impressionam. Aproveitando o frisson, vou além. A princípio com certa dificuldade -- patusas vacilantes, penosos silêncios --, mas logo com crescente entusiasmo -- como se as comportas se tivessem aberto, entende?, as comportas da emoção -- revelo que minha profissão originalmente era outra: professor de História. O que, de novo, é uma surpresa: imaginam-me psicólogo ou médico." O trecho acima é o incipit de A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA, mas nã...

#IncipitBrasil DIA SANTO Humberto B. Leal

"Nasci e vivi muito tempo na Amazônia. Criança de brincar nos beiradões dos rios lamacentos, de carregar as bacias de roupa de minha avó que labutava sobre balsas de sapopema, de me esconder do meu pai me chamando para beber purgantes contra todo tipo de verme e cujo gosto intragável fui incapaz de esquecer. Aprendi a nadar nos igarapés, vivi em cortiços na minha primeira infância, ouvi muitas histórias de visagens e presumo ter visto fantasmas confabulando na solidão das calçadas. Eu e uma porção de crianças costumávamos passar as manhãs, enegrecidos pelo sol amazônico, a ver as embarcações passando ao largo, no rio Negro, sem preocupação com a vida ou a morte." Dia Santo, romance de Humberto Batista Leal,  Maltese, São Paulo, 1992, 158 páginas. Do prefácio de Raquel de Queiroz: "E é preciso se ter uma certa preparação psicológica para ler e ouvir o DIA SANTO. Esquecer o meramente folclórico, sentir a Amazônia na sua carna e na sua força. Ali, não se recebe o santo...

#IncipitBrasil ESAÚ e JACÓ Machado de Assis

“Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram a subir pelo lado da rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá por os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.” Esaú e Jacó, Machado de Assis, W. M. Jackson Inc Editores, 1961, São Paulo, 454 páginas. Lançado em 1904, livro da maturidade literária de Machado de Assis e o seguinte a ser lançado após Dom Casmurro (1899).